13 dezembro 2014

Na Caverna Casa de Pedra, o maior pórtico de caverna do Mundo

Patrimônio Natural da Humanidade, Vale do Ribeira se destaca com suas belas paisagens 

Juliano Camargo

Casa de Pedra - foto do site do Governo do Estado: http://ecoturismo.sp.gov.br/ (Roney Perez)

Nossa ida ao Município de Iporanga-SP foi motivada pela trilha que dá acesso ao pórtico da caverna Casa de Pedra: a maior boca de caverna do mundo.Apenas isso! (risos).Fomos no dia 06 de Dezembro, Sábado e retornamos no Domingo,7.


Iporanga é um dos municípios da região do Vale do Ribeira e tem um cenário fantástico. Ficamos dois dias na cidade hospedados na casa do Seu José Florindo e sua esposa, Dona Maria. Duas pessoas incríveis. Pessoas simples, bondosas e muito hospitaleiras. O roteiro ficou ainda mais gostoso com a atenção que recebemos da Dona Maria e o seu José. Muito obrigado Seu José e Dona Maria.

Não tem como não agradecer também aos amigos Nilton Florindo e João Silva. Foram espetaculares na recepção.Muita educação, atenção e respeito.Obrigado,pessoal!


Vendo as lindas paisagens, e observando depois sobre a história de Iporanga, com sua cultura muito ligada à própria história do Brasil e com um contexto onde a natureza se mistura fortemente com a dinâmica local, ficamos entusiasmados não só como objetivo principal do roteiro, mas com toda essa composição de fatores. Foi tudo uma riqueza imensurável e muito positiva.


Situada sobre a Serra de Paranapiacaba, com uma paisagem coberta por Mata Atlântica, o Vale do Ribeira e o Alto Ribeira, onde está Iporanga,  apresenta uma grande diversidade de paisagens.


A presença da Serra do Mar apresenta uma paisagem com maravilhosos morros florestados,onde há predomonância de cavernas,sem falar magnitude  fauna e flora dessa região.

O Petar está no mesmo contexto geográfico dos Parques Intervales e Carlos Botelho. 

Imagem mostra a linda Iporanga. Neste espaço  um misto de história e cultura; um território com seus verdes, seus encantos e mistérios naturais. Adorei esse lugar!  foto de: Vandir Júnior. 


Na volta, no Domingo, parada obrigatória no vale do Betary, entre Apiaí e Iporanga. O famoso Mirante da boa vista. É aí que se encontram as cavernas e toda aquela riqueza natural da Mata Atlântica.



O Vale do Ribeira tem um contexto tão importante para história, a cultura e a biodiversidade que ganhou em 1999 o título de Patrimônio Natural da Humanidade, reconhecido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura.
Cavernas, geologia, biodiversidade, cultura e história

O PETAR abriga uma das províncias espeleológicas mais importantes do Brasil, com mais de 300 cavernas cadastradas pela Sociedade Brasileira de Espeleologia (SBE).Na foto,ao centro, Galdino e Antônio iniciam com o guia a entrada na caverna Morro Preto.




Morro Preto. Foto perfeita no Nilton Florindo.


No destaque, a torre da Igreja matriz, em Iporanga. Faz parte do centro histórico de Iporanga, iniciado em 1971. Essa edificação faz parte do contexto da presença de tropeiros, que no século XIX e início do século XX, mantinham o comércio com o sul do país e o interior de São Paulo. O centro histórico de Iporanga foi tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio  Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico, o CONDEPHAAT.

Iporanga - Entre os 50
Como esse local tem um toque especial: confluência  rio Iporanga com o Ribeira.


 Os 50 melhores destinos do Ecoturismo do Brasil (Iporanga é um deles) Acesse o link aqui


A foto abaixo mostra o Galdino no início da noite, dando uma volta pela cidade. Paisagem mostra a Igreja Matriz.

O sino de bronze 


"No ano de 1884 foram concluídas as obras da Torre principal da Igreja Matriz, projetada e construída pelo arquiteto alemão Guilherme Looze (ou Lohser), germânico da Bavária, nomeado pela Santa Sé em 1868, para tal fim. A inauguração da torre foi procedida de muitas festividades. Antes da conclusão da torre, um majestoso sino de bronze fora mandado confeccionar na Bélgica, mediante doação em dinheiro do Sr. Joaquim da Motta, próspero comerciante do local e com uma contribuição do Imperador D. Pedro II, no valor de 2.000 contos de réis.Consta que na inauguração da torre, à 1º de Janeiro de 1884, pelo Padre Antonio da Silva Pereira, esse sino já teria recebido os fiéis com seus maviosos repiques de sonoridade sem igual".(Trecho retirado do site da Câmara Municipal de Iporanga-SP)


Obrigado, Nilton Florindo e João Silva. Vocês foram fundamentais e fizeram com esse passeio fosse ainda melhor. Que recepção maravilhosa. Nilton, que é de Iporanga e reside em Nova Campina, onde trabalha, me fez esse convite há um tempo. Graças a Deus os dias 06 e 07 de Dezembro foram as datas escolhidas.Foto mostra da esquerda, Galdino,Seu Antônio, eu e o Seu José Florindo, na sua casa.Sábado antes da deliciosa janta! 


A Casa de Pedra


Na chegada,com o  guia Valdemir Santos.  
A Casa de Pedra é um dos núcleos de visitação do Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (PETAR). É um lugar fantástico. A dimensão da entrada da Caverna impressiona. Cercada por Mata Atlântica preservada, com as riquezas que só a Mata Atlântica possui, há nesse lugar uma energia muito forte: as cenas vistas durante o percurso são, sem sombra de dúvidas, de emocionar. Dentro de todo o roteiro que fizemos, não há somente o aspecto natural que é muito forte, mas também o aspecto histórico e cultural dessa região. A contribuição do nosso guia, o Valdemir Santos, foi fantástica. Contou cada acontecimento interessante  relacionado ao povo e a cultura local ,sem dizer das questões políticas envolvendo a história do PETAR. Vale a pena a pesquisa.


Alguns fatos sobre a Casa de Pedra:


 *Fragmentos do diário de viagem de Martim Francisco Ribeiro de Andrada, escrito em 1805, descrevem a sua passagem pela Casa de Pedra (então Lapa de Santo Antônio);

* 1962: Pedro Comério, M. Le Bret e outros reencontram a caverna;

 *Ainda em 1962, Le Bret e P. Slavec realizam a primeira topografia da caverna;

 *1964: é realizado o primeiro Congresso Nacional (Brasileiro) de Espeleologia na boca da caverna;

*No início dos anos de 1980 o Parque foi efetivamente implantado e começou a receber uma visitação mais regular, com aumento significativo a partir da segunda metade dos anos 1990. A cavidade se localiza no 
Núcleo Caboclos, ainda com pouca visitação

 *Nos anos 1990 o GPME e UPE realizam novo mapeamento da cavidade, realizando escalada e descoberta de galerias superiores no pórtico principal;


*Acidente fatal em 2003 devido a inundação repentina da galeria do rio, o que motivou o fechamento da cavidade até a realização de estudos de riscos e seu plano de manejo. (Fonte: Fundação Florestal.SP)
Aqui um registro feito pelo João Silva. Logo após a chegada. Mais ou menos na base da Casa de Pedra


A foto abaixo, do fotógrafo Lalo de Almeida dá um pouco mais da dimensão e estrutura da Casa de Pedra. Sobre o autor desta foto consegui informações no "face" do Júnior Petar.

Surpreendente
Caminhar pela Mata Atlântica, numa das áreas com maior patrimônio espeleológico do Brasil, não tem preço. As famosas cavernas do PETAR, com suas dimensões incríveis e seus mistérios, são obras fantásticas do criador e que merecem ser visitadas por todos.A Mata, sem comentários: plantas diversas, o clima, a diversidade de espécies etc. No sumidouro  da Casa de Pedra, sem dúvida algo espetacular: o imenso paredão de calcário com 215 m de altura, o maior do planeta. Entrar, por enquanto não foi possível. A entrada ficou proibida após um acidente ocorrido em 2003.Alguns trabalhos publicados na internet mostram o interior da caverna.  A duas trilhas na Casa de Pedra, sendo a que fizemos, no Pórtico da Igreja e também pela ressurgência chamada Santo Antônio.


Sumidouro da cavidade em meio 
ao paredão calcário. 
Acima do sumidouro


Lá embaixo, no sumidouro, a entrada da Caverna. 



Piscina formada antes da descida ao sumidouro. Rio Maximiniano.


Nas duas fotos acima há uma pessoa. O desafio é: quem é e onde está?
 

         Agora, sim! Eu estive lá!Montagem minha com uma foto             retirada do site: www.pousadacasadepedra.com.br


Na Caverna Morro Preto. Isso te lembra alguma coisa? Logo que vi, pensei: tem tudo a ver comigo!



As cavernas. Cheia de mistérios, mexem com o imaginário. Olha o Galdino aí na entrada da Morro Preto! 

Nas pesquisas para escrever algo relacionado a estas cavernas do Petar, encontrei uma tese de Doutorado com o tema: cavernas como paisagens racionais e simbólicas.Nela o autor analisa os processo que levaram à invenção das práticas espeleológicas e do fenômeno espeleoturístico, sua produção internacional e inserção no contexto brasileiro. Nesta perspectiva o autor aborda o imaginário coletivo, as narrativas visuais e a representação da paisagem nas práticas espeleológicas. Nela o autor ainda caminha sobre o universo da espeleologia, tratando questões de conservação, pesquisas, turísiticas etc, mas o que chamou-me a atenção neste momento foram suas poesias dentro de sua tese. Quanta sensibilidade.  Suas experiências adentrando ao mundo das cavernas como profissional e relatando seus momentos. Ao ler alguns trechos da tese e vendo algumas imagens, juntando a minha experiencia pessoal, pela primeira vez indo ao PETAR, eu chegou a conclusão: Realmente esse mundo subterrâneo, esse universo interno de nosso planeta nos deixa maravilhado e promove sensações maravilhosas.

Vale conferir uma parte do texto do autor:

Trecho na íntegra do autor: Disponível em: http://www.teses.usp.br - Clique aqui para baixar

Ele continua: 
Trecho na íntegra do autor: Disponível em: http://www.teses.usp.br - Clique aqui para baixar
A natureza realmente encanta! Ele tem razão. E olha que tudo isso foi vivenciado por meus amigos eu eu nesse trajeto até Iporanga.






O João tentando fazer um som. 


Uma caverna fantástica: A Santana. Ao fundo, João e Galdino.
Ainda na entrada da Caverna Santana, da esquerda: Eu e o Seu Antônio. 

Na foto acima estamos na entrada da Morro Preto. A placa cita um pesquisador muito importante no contexto histórico de desenvolvimento da espeleologia, principalmente no Vale do Ribeira e no Estado de São Paulo. Alemão, Sigsmund Enerst Richard Krone, Ricardo Krone após  radicado em Iguape, São Paulo, realizou na região de Iporanga, no alto Vale do Ribeira, entre 1895 e 1906, o primeiro levantamento sistemático de cavernas no Brasil.Ele descreveu muitas grutas, produziu mapas e fotografias, além de mencionar outras de pequeno tamanho. Ricardo fez estudos sobre o curso subterrâneo dos rios que percorrem a região, sua geologia, a espeleogênese, a mineralogia de alguns espeleotemas, a zoologia e a etnografia.

O Bagre cego de Iporanga - O bagre-cego, que hoje leva seu nome, Pimelodea kronei,  foi descrito por ele.Os estudos de Krone impulsionaram a atividade espeleológica paulista e também brasileira. 

As mais belas cavernas - Os estudos de Krone impulsionaram a atividade espeleológica paulista e também brasileira. Ainda sobre as cavernas da região, o geólogo norte-americano, John Casper Branner afirmou o seguinte: "No sul do estado de São Paulo existem cavernas notáveis na bacia do rio Ribeira de Iguape, principalmente na do rio Bethary ao norte do rio Iporanga.Talvez não haja no mundo de que as desta região do Brasil".
"Cortinas de bacon". Caverna Santana.

Um "grilinho", certamente uma espécie única da caverna.


Seu Antônio pela primeira vez em uma caverna.

Nilton Florindo, agradeço muito a ele pelo convite e recepção na casa de seus pais.

A famosa "epeleoteta"

Formas estranhas no interior da caverna (risos)
Iporanga : Paisagem e contexto


" Antes de poder ser um  repouso para os sentidos a paisagem é obra da mente. Compõe-se  tanto de camadas de lembranças quanto de estratos de rocha". Schama 1996.

Esta postagem é um pouco grande. Isso deve-se ao grande potencial de Iporanga. Veja nas paisagens retratadas em nossa aventura e por meio das  legendas do que estou falando:
Meio de transporte ainda utilizado,  relembra os momentos históricos das canoas: subsistência 
escravos,comércio etc - Morador numa canoa sobre o Rio Ribeira em Iporanga.Essa foto é um convite perfeito para um passeio de canoa.
 Seu Antônio e eu no Sábado.Passando por uma área de um antigo acampamento e escritório da mineração de Furnas. A questão rende uma longa pesquisa sobre o tema mineração/Meio Ambiente no Vale do Ribeira.  Aqui, um remanescente de mineração e beneficiamento de minério de chumbo e prata.



O canto dos pássaros. Durante o percurso de ida paramos na descida ao bairro da Serra. Naquela paz e tranquilidade, rodeados pela mata densa e cheia de vida: o canto  dos pássaros invisíveis acalentam a alma.

  
Jambo?

Pequena estrada para chegar ao Pórtico da Casa de Pedra. Área rural. O guia Valdemir à esquerda.


Da esquerda - Seu José Florindo e Seu Antônio rumo ao destino principal:Casa de Pedra. Com 70 anos  caminhou conosco numa tranquilidade.Sempre com aquela sacola  com água na mão, ele nem apresentava sinais de cansaço. 6 Km numa trilha para ele foi fácil demais. 

Belezas naturais em meio ao caminho.

Quanta beleza

Rio Iporanga. Para chegar até a Casa de Pedra é necessário atravessar o rio.




Nesta foto João explica um costume da região: fazer cordas com essa planta.


Uma espécie de Palmeira, conhecida na região por Tucum.  

No meio do Caminho tinha uma fruta. Só não sei o que é!(risos)



Na volta, cansados, mas animados com o que vimos e vivemos no percurso.

Antes da chegada. Casa de Pedra. 

Sobre a ponte do Rio Ribeira, Seu Antônio observa o morador em sua canoa.




Um texto do nosso amigo João Silva, sobre os dois dias em Iporanga.
O Rio Iporanga
Lugar de tranquilidade. Campo de futebol ao lado da cidade, à esquerda o Rio Iporanga ao lado do campo.
                                 



Não deixe de acessar: www.iporanganet.com  - Tudo sobre Iporanga.

Reportagem PETAR , RIT

Fonte de pesquisa: Internet, blogs diversos, sites relacionados ao Petar, Sérgio Pompeia  - Divulgação sobre Iporanga-SP, site da Câmara Municipal de Iporanga, www.fflorestal.sp.gov.br.


MAIS FOTOS:





Grandes parceiros e amigos de caminhada.










Paradinha básica para ouvir as explicações do guia Valdemir Santos.

O Guia Valdemir, um professor; sabe tudo sobre o PETAR.


Seu José Florindo e o filho, Nilton Florindo. Aos 70 anos, acompanhando tranquilamente os mais novos.