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Caquis de Nova Campina são destaques em matéria do Estadão


Clima ajuda e safra de caqui é farta este ano

No sudoeste paulista, principal região produtora de variedades sem tanino, galhos são até escorados, de tantos frutos


O Estado de S.Paulo

O caqui fuyu está em plena safra na região de Sorocaba (SP) e os produtores têm motivos para comemorar. O clima favorável ajudou a carregar as árvores com frutos abundantes e saborosos. A alta produtividade compensou em parte os preços pouco atraentes no pico da colheita. Alguns pomares de Piedade e Pilar do Sul foram afetados pelo granizo na fase de maturação dos frutos. O revés não foi, porém, suficiente para prejudicar a boa safra e pode-se adquirir fruta de qualidade por preço acessível.
O Estado de São Paulo é o maior produtor de caqui do País. Os pomares estão presentes em 25 das 40 regiões agrícolas paulistas.


Quatro delas - Mogi das Cruzes, Campinas, Sorocaba e Itapeva - detêm 89% da produção, segundo o Instituto de Economia Agrícola (IEA-Apta). Nos últimos 15 anos, a produção paulista quase dobrou, passando de 69 mil para 112 mil toneladas por ano. Nas regiões de Sorocaba e Itapeva predomina o cultivo do caqui sem tanino, de polpa consistente e crocante, como o fuyu.
O produtor Sérgio Komiya, de Nova Campina, região de Itapeva, mantém um pomar com 2 mil pés de fuyu com idade entre 15 e 30 anos na Fazenda Perobal. Este ano, está colhendo até 200 frutos por caquizeiro, ou 70 quilos por planta. Descontadas as perdas para os pássaros (cerca de 15%) e pela alta incidência de fruto mole, o rendimento final é de 130 frutos por planta. Os caquis maiores, com até 410 gramas, são vendidos por R$ 1,30 a unidade, e os médios, com 300 gramas, por R$ 1. A produção é embalada na própria fazenda e vendida para o mercado interno.
O problema, segundo Komiya, é que, além dos percalços de uma atividade agrícola cada vez mais cara, o produtor arca com custos elevados na hora de vender. "Cada embalagem do tipo caixa de papelão para duas camadas de fruta custa R$ 2,87, mais imposto. A comissão do entreposto (Ceagesp) é de 17%. Pagamos ainda R$ 0,28 por caixa para a descarga, mais R$ 1 de frete." Considerando que uma caixa de bom padrão com 16 frutas é vendida por R$ 20, tirados os custos do pós-produção, sobram R$ 12,85.
Komiya não usa cobertura com sombrite porque acredita que a radiação solar tem papel importante na eliminação de resíduos das pulverizações. O uso de insumos químicos é reduzido graças ao controle de moscas e insetos com iscas e armadilhas. O produtor gosta de manter os pomares próximos das condições naturais. Na entrelinha das plantas, semeia cobertura vegetal para atrair ácaros e outros insetos que, na ausência do mato, atacariam os caquizeiros. Este ano, teve uma incidência alta do fruto mole (amolecimento precoce), cujas causas ainda são investigadas. Em alguns caquizeiros, 70% dos frutos amoleceram.
Em Piedade, o produtor Leo Mimoto obteve produção média de 50 quilos por planta em seu pomar com 500 caquizeiros. Ele comemora a boa safra, que contrasta com a do ano passado, quando o pomar enfrentou estiagem e a produção não chegou a 10 quilos/planta. Mimoto plantou os caquizeiros há 19 anos, mas, em razão dos preços baixos, deixou de cuidar da lavoura. "De tanto tomar prejuízo, passei a me dedicar mais aos legumes, mas o pomar já é um capital aplicado e decidi dar mais atenção."
A tendência de recuperação do mercado levou-o a investir em tratos culturais. Após a colheita, em junho, fará a poda dos ramos e, em seguida, iniciará o calendário de adubações e pulverizações. Este ano, está vendendo o caqui por R$ 15 a R$ 20 a caixa. Com o resultado da safra, Mimoto pretende investir na cobertura de parte do pomar com tela do tipo sombrite, a fim de retardar a colheita em um mês e meio e obter preços melhores. No pomar sombreado os frutos demoram mais para amadurecer.
A prática já é adotada por produtores de Pilar do Sul, como Akira Morioka, com 3 mil caquizeiros de 18 anos. Morioka usa irrigação e cobre as plantas com sombrite. O município concentra produtores tecnificados, ligados à Associação Paulista de Produtores de Caqui. Apesar do câmbio pouco favorável, eles ainda exportam parte da produção, sobretudo para a Europa, que paga 30% a mais que o mercado interno.
Colha e pague. O fruticultor Márcio Tadakasu Sakaguti, de Piedade, prefere vender a produção de seus 1.200 caquizeiros no mercado interno. Entre 30% e 40% das 50 toneladas previstas serão vendidas no Ceasa de Sorocaba. O restante é consumido no próprio pomar ou levado pelos turistas. O produtor é pioneiro na região no sistema "colha e pague", em que o consumidor paga uma taxa e colhe diretamente no caquizeiro toda fruta que puder comer. Ele também pode levar o caqui escolhido no pé para casa.
O sistema virou atração e foi incluído no calendário turístico do município. Na edição deste ano, os caquizeiros do Sítio Sakaguti terão atraído mais de 3 mil visitantes até o fim de abril, quando se encerra o período de turismo rural. Conforme o produtor, os pés carregaram tanto que foi preciso ampliar o escoramento das ramas. "Deu praticamente o dobro de caqui do que em 2010", diz. Além disso, os frutos estão maiores e mais saborosos. "O frio veio na hora certa e tivemos muito sol, por isso o teor de açúcar é alto, entre 24 e 25 graus brix", diz.
A atividade turística é acompanhada de perto por guias e monitores treinados, como Diogo Tricta e Nestor Domingues, para que as plantas sofram o mínimo de impacto. "Fazemos o turismo durante no máximo um mês para evitar o pisoteio excessivo do pomar", diz Tricta. Após o encerramento da safra, será feita a poda de inverno e a adubação com compostagem - o produtor aboliu os adubos químicos. Sakaguti é um dos pioneiros em caqui fuyu na região e algumas plantas já têm mais de 50 anos. Mesmo assim continuam muito produtivas e devem seguir produzindo até os 100 anos, segundo ele. "Quanto mais velha a árvore, mais doce o fruto", diz.
O caqui fuyu é a variedade mais cultivada pelos produtores do sudoeste paulista porque se adaptou bem à região e serve para a exportação. Além disso, tem a colheita mais tardia do que outras variedades. As de caqui mole ou com tanino, como rama forte, giombo e taubaté, são cultivadas sobretudo em Campinas. Após colhidas, as frutas passam por um processo de destanização em câmaras de maturação.

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