15 junho 2010

O MAIS DOCE DE TODOS OS SONS

por Oliveira Fidelis Filho - fidelisf@hotmail.com

Estavam casados há mais de 50 anos quando tive o privilegio de conhecê-los. Na oportunidade era o conferencista em um evento em uma pequena cidade, no interior das Minas Gerais, onde moravam. Passei três dias ali e me encantava ver-los interagindo em paz, acolhimento e muita alegria. Perguntei o segredo de uma união tão harmoniosa e duradoura. Olharam um para o outro e ele disse: "é fácil! Para cada critica quatro ou cinco elogios". Para eles, nesse complexo jogo entre "morder x soprar", o resultado deveria ser no mínimo de quatro a um para o "soprar". Uma família onde há muito mais sopros do que mordidas o resultado é a qualidade de vida encharcada da paz, alegria e, conseqüentemente, saúde física, mental e emocional. Alem do que, quem de coração elogia, deixa o próprio coração em estado de festa. Benjamim Franklin, há aproximadamente duzentos anos, recomendava: "não fale mal de ninguém, mas diga todas as coisas boas que souber dos outros". O Apostolo Paulo, há quase dois mil anos, insistia: "... se existir algo digno de louvor, nisso meditai". As Palavras do Presidente Franklin e de São Paulo desafiam-nos a agirmos como garimpeiros do que é bom, identificarmos o que é elogiável. Ambos desafiam-nos a encontrar o bem e elogiá-lo. O elogio libera a fagulha divina que na vida existe, o melhor que há em nós. Facilita o florescer da autoconfiança, do entusiasmo, da criatividade, dos sonhos, da superação. Em contra partida, a indiferença ou a maledicência abre as portas do inferno, solta os demônios, expandindo as sombras. Gosto de pensar que "no meio dos louvores Deus habita". Não necessariamente em meio aos cânticos religiosos, mas sempre que um elogio é feito. Quando elogiamos alguém, pelo bem que nela buscamos encontrar, Deus se faz presente. Deus habita no louvor, por isso quem recebe um elogio sente-se envolvido por uma onda de entusiasmo. Vale lembrar que a palavra entusiasmo vem do Grego e significa ter um Deus dentro de si. Ficamos "todos cheios" ao recebermos um elogio. É uma metáfora interessante e verdadeira, pois "o elogio é o mais doce de todos os sons", funciona como calorias que aquecem o coração, engorda a alma, estimula a mente e o espírito. Pode ser administrado ou recebido em generosas doses, não possui contra indicação e é de graça. Gosto de pensar na função do elogio quando rego as plantas em meu apartamento. Reagimos ao elogio de forma idêntica a uma planta ao ser regada. Pessoas que vivem sem elogio tendem a murchar com o tempo, o elogio devolve o verdor da vida. Também por isso Jonathan Parker declarou que além do amor, o elogio é a maior dádiva que podemos oferecer a outra pessoa. Muitos pais e mestres acreditam mudar alguém, para melhor, com recriminações, críticas, ameaças, agressões verbais e até físicas. Fariam bem se observassem mais atentamente os domadores: eles recompensam os acertos levando os animais a desejarem acertar sempre. A energia gasta na tentativa de mostrar aos filhos que estão se comportando mal, que não estão fazendo a coisa certa, geralmente não produz mudança de comportamento. Mesmo assim, muitos insistem em repetir a fórmula, apesar de obterem o mesmo resultado frustrante. Gosto de dizer que um filho nasce com o seu próprio e intransferível manual de instruções. É responsabilidade dos pais estudá-lo para compreendê-lo e para poder ensinar. Quando dizem que não entendem porque afinal um filho ficou deste ou daquele jeito, se todos foram criados de igual forma, revelam quão desatentos e insensíveis permaneceram diante das particularidades de cada um deles. Quem elaborar um manual que garanta o sucesso dos filhos ficará bilionário, pois qual pai não fará tudo para adquiri-lo? Entretanto, há maneiras de desenvolver o melhor que existe em um ser humano e, entre elas, a mais eficaz vem pelo estímulo que o elogio produz. O elogio deve ser uma prática constante. Deve ser verdadeiro, ainda que tenhamos de garimpar arduamente para descobrir uma minúscula pepita do bem.
Com o hábito, treinaremos os olhos para focarem o que é elogiável, o que exercitará sensibilidade ao coração e iluminação ao pensamento. À medida que avançarmos na arte do elogio, passaremos da defensiva, da reatividade, para uma deliciosa sensação de liberdade, de deleite e de leveza. Aprenderemos ainda elogiar pelo pensamento, pelas costas, por tabela, por escrito, o que muito alegrará os que forem alvos destas várias modalidades de elogio. A cada dia, encha o coração de elogios, o rosto de sorrisos, e saia em busca de quem e do que possa ser alvo de seu elogio. Livre-se da indiferença, da maledicência, vire o jogo, sopre muito mais